Devaneios. Pensamentos. Ideias. Piadas. Críticas. Opiniões. Aleatoriedades. Giovanna, e com dois enes.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O encontro
Ele caminhava distraído no corredor do prédio, porque não lembrava se havia deixado seu telefone no carro. Não era cedo e não era seu desejo chegar atrasado à importante reunião, por isso não voltou à garagem. Reproduzia em sua mente tudo o que havia feito desde que deixou o carro, quando tropeçou e caiu.
Foi quando ele percebeu a mulher cega que chorava. Ele limpou seu rosto, pegou sua bengala que estava distante dela e a auxiliou a ficar em pé. Seu celular tocava, mas ele não escutava. Ela já segurava sua bengala, mas não se deu conta. Eles se esqueceram de seus compromissos. Ali haviam se encontrado pela primeira vez, e era só o que importava.
Paixão
Texto em homenagem ao meu refrigerante favorito. Recuse imitações.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Ele e seu dia
1º post do ano
2009 foi um ano que passou em uma velocidade tremenda para mim. Achei inacreditável quando já estava me preparando para entrar no presente ano. Apesar de rápido, foi um ótimo ano, no geral. Espero que 2010 seja pelo menos tão bom quanto seu antecessor! Até hoje tem sido muito bom.
Feliz 2010 :P
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Retorno.
Hoje não estou aqui para postar algum dos assuntos que vêm à minha mente. Tampouco escrevi algo novo. Simplesmente estou travada, desculpem-me. Não consigo colocar em um texto algo que valha à pena ser lido – ou é o que eu acho. Entretanto, vasculhando meus arquivos novamente, achei uma pequena história que escrevi há uns poucos meses. Como não a havia postado aqui e como não queria deixar esse blog mais um dia abandonado... aí está:
Mistério
Fecho os olhos. Sinto minha vida se esvair pouco a pouco. Cada batida de coração parece ser a última, e nada posso fazer para impedir o trágico fim. Calafrios, e mais calafrios. Enfim, a última lágrima, a última batida, a última pulsação, o último suspiro... a minha vida, então, acaba.
Sufoco. O ar não mais entra rasgando meus pulmões. Debato-me, em busca da vida. Ela se esquiva de mim, e então agonizo. Sofro, meu sangue começa a tingir tudo ao meu redor. De repente, estou em um mar rubro, sem rumo e sem ar. Desisto de lutar. Talvez fosse mais fácil assim.
Ouço correntes se arrastando. Vultos cobertos por longas capas passam por mim, como se eu não existisse. O barulho das correntes ecoa em minha mente. Grito por causa da dor. Os vultos se entreolham, e logo sinto seus olhares em mim. Náusea, vista turva... não consigo me mexer.
A luz invade minha visão. Dor-de-cabeça, dor no peito. Minhas mãos manchadas de vermelho. Cicatrizes e hematomas por todo o meu corpo. Um código de barras está tatuado em minha barriga. Não há ninguém por perto. Quase como ironia, sinto que não sou mais eu. Algo me distrai. No teto, a névoa que invadiu o cômodo parece dançar. Cintila surrealmente. O silêncio que reinava até então é interrompido, atraindo todos os meus sentidos.
Não me lembro do quanto vivi até o dado momento. Quase não me reconheço, enquanto meu corpo está deitado naquele ambiente estranho. É o começo de tudo. Antes, quente; agora, frio. Muito frio. Começo a tremer, meus olhos atentos tentam captar os detalhes, buscam a verdade. E choro, choro um choro demasiado. Meu corpo é lavado em lágrimas; minha alma teme. Teme o que pode vir a acontecer. Sinto uma pancada. Tudo enegrece.
Um comentário: sonhos podem detonar com o dia de uma pessoa e se infiltrar em todos seus pensamentos livres. É assim que se sabe o tamanho do incômodo de um sonho ou pesadelo... quando não se consegue livrar dele. Aliás, às vezes isso tem um lado bom, pode trazer ideias novas! O problema é quando você não consegue realizar suas ideias e a frustração reina.
Ah, um último comentário: por mais que eu saiba disso em todos os segundos desses meus quase 18 anos de vida, eu sempre me surpreendo quando penso como a vida pode ser injusta. Como as pessoas podem ser... sacanas. Mas ok, é assim.
Buenas noches :)
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A garota.
Ela resolve fazer um esforço para conseguir postar finalmente algo em seu abandonado blog. Mesmo que esse algo não seja elaborado. Mesmo que esse algo seja simplesmente irrelevante tanto para sua vida quanto para a vida dos eventuais leitores de seu blog. Mas ela posta. Ela posta só para que saibam que ela ainda se importa, para que saibam que logo ela pretende acabar como desânimo e postar algo decente com um melhor conteúdo, para que saibam que ela não abandonou de vez o blog, para que saibam que ela ainda está viva, ainda que em uma entediante... inércia, digamos assim.
Então, a garota direciona seu olhar para seu relógio de pulso. O movimento circular dos ponteiros a faz sentir mais sono. Já é outro dia. Ela decide se render e ir dormir. Ou pelo menos tentar aproveitar as poucas horas de sono, antes de mais um dia. É tudo um ciclo. Ela está presa nesse ciclo, e é bom que se acostume com ele.
Ela boceja. Ela anda até a cama, deita e, pela primeira vez em algumas horas, ela dá um sorriso seguido de uma bela risada. Afinal, é como dizem: a beleza está nas coisas simples da vida. E ela viu. Ela percebeu a moral da história, e sua noite teve um final mais feliz.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Barulho de obra.
Aqui estou eu, com meus olhos ainda cansados de sono. Tomei um iogurte para disfarçar a fome e me sentei na minha cadeira cativa, em frente ao computador. Eu certamente planejava dormir até tarde, mas esses meus planos têm sido estragados ultimamente.
Há uns dois anos, eu aspirava à carreira de arquiteta. Era isso o que eu queria ser. Algo aconteceu e eu mudei de ideia, embora até hoje essa me pareça uma escolha interessante. Junto com um curso de arquitetura, vem obra, obviamente. Obras mais barulhentas, obras menos barulhentas. Eu poderia tranquilamente lidar com isso o resto da minha vida, afinal, faz parte do trabalho.
Do trabalho, não necessariamente da minha vida pessoal. Eu não obrigatoriamente teria que lidar com minhas manhãs de sono sendo arruinadas devido a uma obra interminável no andar de cima. Principalmente quando se está de férias e se quer descansar, na medida do possível.
Ontem, como vem acontecendo, eu acordei com o barulho da obra do andar de cima. Só que não parecia um barulho normal. Parecia simplesmente que o prédio estava desabando, ou algo do tipo. Foi meio surreal. E eu fiquei extremamente irritada (para não citar os outros estados de espírito que acompanharam). E essa irritação foi se acumulando durante o dia todo, pois esses barulhos têm sido minha trilha sonora.
Hoje eu nem coloquei o despertador, pois sabia que acordaria com a barulheira incomum acima do meu teto. E funcionou. Às vezes eu me pergunto o que tanto eles fazem. Eu moro nesse prédio há quase um ano e, durante quase todo esse tempo, lá em cima eles continuaram nessa ‘orquestra’ altamente desregulada (sendo que ultimamente eu tenho sentido mais). Tenho certeza de que a obra deles já deveria ter sido concluída há meses.
Como sempre rola fofoca, a senhora que trabalha aqui em casa descobriu com um dos porteiros, que descobriu com um dos operários que trabalham na referida obra, o seguinte fato: os donos do apartamento são insaciáveis. E ricos, ao que tudo indica, pois o que ocorre é que eles mandam refazer uma mesma coisa quantas vezes der na telha deles. Mas, caramba, isso precisa afetar aos andares próximos ao dele? Até porque certa vez o dono ali de cima me disse – em um contexto diferente desse – que eles tinham feito isolamento acústico no apartamento deles. Não sei que isolamento acústico...
De qualquer forma, com ou sem isolamento acústico, o ponto é que essa barulheira afeta nosso dia aqui em casa. O clima tem estado mais pesado, porque esse constante tormento tem gerado dores de cabeça e tremendo mau humor da parte dos que aqui estão. Eu já pensei em ir lá em cima verificar quanto tempo deve faltar para que a obra se conclua. Sério. Mas seria muita cara-de-pau, a qual eu não tenho. Depois pensei em perguntar diretamente aos moradores. Sim, porque ao condomínio nós já reclamamos. Principalmente quando eles – e aí eu olho com desprezo para cima – invadem o horário em que não deveria ter obra alguma acontecendo no prédio.
Eu não posso desfrutar dos meus últimos dias de férias com devida calma e tranqüilidade. Não posso acordar de forma natural – ou com meu despertador, com o qual eu estou tão acostumada ao longo dos anos, que já trato como uma forma natural –; não posso assistir TV sem legenda, a não ser que eu ultrapasse os decibéis sensatos; não posso ouvir música como eu gosto de ouvir; não posso ter uma conversa que não seja prejudicada; não posso manter um silêncio agradável; não posso fazer muitas outras coisas que eu gostaria.
É, tudo por causa dessa extremamente barulhenta e anormal obra no andar de cima. Ela tem atrapalhado meus dias. Destruído minha paz. E sim, eu estou irritada. Demasiadamente irritada. Deveria ter algo que se pudesse fazer, mas todas as minhas ideias mirabolantes e malignas foram barradas por mim, justamente por serem mirabolantes e malignas.
E assim eu vou levando meus dias. Meus pais reclamam quando eu resolvo sair quase todos os dias, mas é uma forma de manter a sanidade. Enfim, não há o que se possa fazer, além do que já se tem feito. Só posso esperar pelo fim dessa obra, e torcer para que seja logo. Por favor, que seja logo...